Casa Cavé, no Centro, está de volta ao antigo endereço de 1860

quinta-feira, 14 de maio de 2015


O Centro histórico do Rio acordou mais doce. Nesta quarta-feira de manhã, a Casa Cavé, confeitaria mais antiga da cidade, foi reinaugurada no prédio onde funcionou por 140 anos, na esquina das ruas Sete de Setembro e Uruguaiana. 

A especialidade da casa continua a ser o tradicional pastel de Belém, degustado por celebridades e políticos importantes do século passado, entre eles os poetas Carlos Drummond de Andrade, Olavo Bilac, Tarsila do Amaral e o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Junto com as memórias dos 37 anos de Casa Cavé, o garçom Waldir Ramos de Mello, guarda uma relíquia de um cliente fiel. 

“Na última vez que o Drummond esteve aqui, esqueceu um guarda-chuva. Guardo com carinho até hoje”, contou. 

Emocionado, o funcionário mais antigo da confeitaria relembrou os anos em que serviu chocolate quente com torradas para o poeta mineiro: “Ele era uma pessoa muito humilde e tinha voz mansa.”


Freguês há 70 anos, o desembargador José Samuel Marques se lembra de um Rio bastante diferente. “Quando eu vinha aqui, as mulheres usavam aquele chapéu grande com véu e luvas”, contou. 

Segundo ele, a sobremesa favorita de sua infância eram os ratinhos de amêndoa. “Espero que ainda façam”, brincou.

Além das tradicionais receitas portuguesas, como o bacalhau e o pastel de Belém, a confeitaria promete oferecer pratos típicos de Portugal quase desconhecidos nas terras da ex-colônia; além de opções de sanduíches e carnes. 

“Toda a comida é feita na hora e é muito saudável, não oferecemos frituras. Até o pão é feito aqui”, detalhou o chefe de cozinha, Alfredo Galhões.
Inaugurada em maio de 1860, a Casa Cavé mudou de endereço no ano 2000, devido à impossibilidade de reformar o prédio — tombado como patrimônio histórico do Rio. 

Em 2003, outra filial foi aberta na esquina, conhecida pelos funcionários como Cavêzinha. Em outubro do ano passado, quatro famílias de origem portuguesa decidiram retomar as atividades no edifício antigo.

As obras de restauração começaram no mês seguinte. Segundo o arquiteto André Rodrigues, responsável pelo projeto, houve o cuidado de manter as características do prédio original, devido ao seu valor histórico e cultural.

“A gente manteve a decoração antiga, apenas restauramos. Até as mesas e cadeiras são originais”, explicou. As únicas reformas realizadas foram a da cozinha, que foi ampliada, e do telhado, que foi substituído porque estava deteriorado.

Entre as autoridades presentes na reinauguração estavam o prefeito Eduardo Paes, o Cônsul Geral de Portugal, Nuno Mello, e o presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Washington Fajardo.

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