TJ decreta prisão preventiva de PM suspeito de matar jovem com mais de 20 tiros

sábado, 9 de dezembro de 2017


Redação Rio Alerta 


O Tribunal de Justiça do Rio decretou, no fim da noite desta sexta-feira, a prisão preventiva do cabo da PM, Jorge Luiz Aguiar da Silva, apontado como autor do assassinato da jovem Hayssa Alves de Souza Andrade, de 21 anos, atingida por pelo menos 20 disparos. 


O policial que era lotado no Centro Operacional (Cecopom) da polícia teria matado a jovem após um desentendimento sobre a escolha de uma música durante uma festa em Campo Grande, na Zona Oeste. 

 A decisão do TJ-RJ atende ao pedido de conversão do flagrante em prisão preventiva feito pela Divisão de Homicídios da capital (DH). 

"Ressalto que os indícios de autoria estão suficientemente caracterizados em razão da prisão do suspeito, cuja circunstância da prática do crime seguiu bem detalhada pelas testemunhas", escreveu o juiz de plantão judiciário, Carlos Augusto Borge.

O caso
Jorge Luiz e Hayssa eram convidados de uma festa que acontecia em sobrado na Rua Camaipi e não se conheciam. 
Segundo uma prima de Hayssa, que pediu para não ser identificada, cada um podia escolher uma música. Hayssa escolheu um funk. 
O policial não gostou e começou a ameaçá-la. A música foi interrompida, mas as ameaças continuaram. 
"Ele chutou o copo dela e perguntou por que Hayssa estava rindo. Depois, ameaçou-a de morte e atirou 26 vezes", contou a prima.
Segundo o delegado Fábio Cardoso,titular da Divisão de Homicídios (DH) da Capital, o PM teria ficado irritado porque a música escolhida faria apologia ao Comando Vermelho. 
"Após a amiga da vítima colocar a música, o policial — que durante o tempo todo se mostrou arrogante, truculento e ostentando a arma — foi tirar satisfações, dizendo que aquilo era música de bandido", relata. 
Ainda de acordo com o delegado, Hayssa perguntou ao PM se ele pretendia usar a amar para atacá-la.

O PM, então, descarregou a pistola calibre 380 na mulher. "Ele usou todas as munições, que tinha dentro da arma contra a vítima. 
Essa arma tem capacidade para 19 munições e uma na câmara. Ou seja, ele pode ter dado até 20 tiros na jovem", explica o delegado. 
Hayssa chegou a ser levada para o Hospital Municipal Rocha Faria, mas não resistiu aos ferimentos. O enterro está marcado para 13h deste sábado, no Cemitério de Campo Grande.
O laudo de necropsia apontou 36 lesões de arma de fogo na vítima. Vinte e duas balas entraram e 14 saíram. 
"Isso não quer dizer que ela foi baleada 36 vezes. A vítima teve várias lesões nas mãos e nos braços — tipico de defesa. 
Essas balas entraram pelos braços, saíram e atravessaram outros órgãos. 
Por isso, esse número alto de perfurações". 
Segundo a perícia, Hayssa os disparos atingiram principalmente as mãos, os braços, o tórax e órgãos internos.

 
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