'Estamos lidando com criminosos com modus operandi terrorista', diz especialista

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018


Redação Rio Alerta 


O Estado do Rio registrou, de sexta-feira até a madrugada de domingo, três ataques a agências de um mesmo banco. 

Por volta das 4h de domingo, bandidos explodiram um caixa eletrônico na Praça Roberto Silveira, no Centro de Duque de Caxias. 

A ação envolveu, segundo testemunhas, cerca de 20 homens encapuzados e armados com fuzis. 

O número de envolvidos é o mesmo que o apontado na explosão de outra unidade bancária em Botafogo, às 2h30 de sábado. 

Na sexta, o crime ocorreu na Av. Automóvel Clube, também em Caxias.

A Polícia Civil informou que a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) está monitorando os ataques cometidos a caixas eletrônicos. 
Também divulgou que o titular da DRF, delegado Maurício Mendonça, acredita que esses assaltos podem estar sendo cometidos pela mesma quadrilha, mas prefere não dar mais detalhes para não prejudicar as investigações.
Na explosão de domingo, quando equipes do 15º BPM (Caxias) chegaram o bando já tinha fugido. 
Antes, os criminosos isolaram a área e colocaram vergalhões na rua para furar os pneus dos carros que tentavam passar pelo bloqueio. Também foram feitos reféns. 
"Falaram para ficarmos tranquilos, que o problema deles era com o governo", disse um taxista. 
O mesmo foi dito pelo bando que atuou em Botafogo na saída, houve disparos e gritos de que "os tiros eram para o estado".
Para o antropólogo e capitão veterano do Bope, Paulo Storani, a "itinerância" é uma das características desse crime e que atrapalha investigações, pois muitas vezes o bando "sai do local e não deixa rastros". 
"Era preciso integrar (o trabalho da polícia do estado) com outros sistemas. Esse tipo de crime poderia ser evitado através de um sistema de inteligência abastecido", disse ele, que acredita que o grupo seja de fora do Rio.

Diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança, Vinícius Cavalcante sugeriu mais rigor na lei para coibir a ação criminosa: "Estamos lidando com criminosos com modus operandi terrorista. Precisamos tipificar esse crime de forma mais dura".
Fiscalização mais eficaz impediria acesso a explosivos
A fiscalização eficaz é a principal arma para impedir a obtenção de explosivos por grupos criminosos, defendeu Paulo Storani. 
E o uso dos artefatos representa um perigo enorme: a explosão de banco em Goiânia, ontem, causou a morte de quatro pessoas (P.8). 
"É preciso fiscalizar o produto na fábrica, no transporte e no armazenamento (em empresas que utilizam explosivo para quebrar pedras). 
Mas o que temos é um número de pessoas insuficiente para promover a fiscalização adequada", afirmou o especialista.
Vinícius Cavalcante defende mais atenção ao tema: "Isso já é fiscalizado e regulamentado. 
O problema é que temos situações em que o caminhão que transporta o explosivo é roubado. 
A escolta não pode ser apenas por empresa de vigilância. Temos que discutir isso e não estamos fazendo".
 
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