Moradores contabilizam prejuízos após rompimento de adutora em Santíssimo

terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Adutora que rompeu em Santíssimo inundou diversas casas

Redação Rio Alerta

A adutora da Cedae que se rompeu em Santíssimo, na Zona Oeste do Rio, no começo da noite desta segunda-feira, causou transtorno para dezenas de pessoas. 

Na manhã desta terça-feira o dia foi de limpeza de casas, carros, ruas e de cálculo dos prejuízos. Não é a primeira vez que a tubulação se rompeu formando um chafariz. 

No ano passado, a 500 metros do acidente de ontem, aconteceu a mesma coisa e outras dezenas de pessoas foram afetadas. 

Moradores da Estrada do Lameirão contaram que "tudo foi muito rápido e que a água entrava nas casas como se fosse um tsunami". 

Pelo menos 30 casas ficaram inundadas. Uma das residências teve a estrutura afetada pela força da água. 

Um dos que perderam tudo foi o aposentado Antônio Soares da Silva Neto, de 71 anos. 

Na manhã desta terça, seus filhos e netos trabalhavam para limpar móveis e retirar a lama que ficou após o rompimento. "Tudo começou às 18h30. 

Estava sentado na sala vendo televisão quando ouvi três estrondos. Parecia uma barragem que se rompeu. 

Sai para ver o que tinha acontecido e quando vi a água já estava entrando aqui em casa", lembra o idoso. Morador da rua há 12 anos, "Seu Antônio" perdeu quase tudo que tinha nos dois quartos, na sala, na cozinha e no banheiro da casa onde ele vive com a esposa, a aposentada Josefa dos Santos Prazeres da Silva, 76. "Durante toda a noite ficamos aqui tirando a água. 

Quando deu certa hora tivemos que parar, pois já somos idosos", lembrou. Neste madrugada, os aposentados tiveram que improvisar um sofá para passar a noite.

"É uma sensação de vazio e impotência. Não tenho mais nada. 
Perdi tudo". Esse foi o desabafo da motorista de ônibus Sônia Fernandes Herminio, 51, que esperava a Cedae fazer a "perícia", quase 16 horas depois do acidente. A mulher perdeu tudo. 
Inclusive um carro que ela comprou há poucos meses. "Eu estava na Avenida Brasil quando a minha vizinha me ligou dizendo o que havia acontecido. Ela pediu autorização para resgatar o meu cachorro. 
Quando eu cheguei eu não acreditei no que eu via. Desde ontem eu só choro", diz Sônia. Absolutamente nada foi salvo na casa da motorista. "Deixei a minha casa toda arrumada e quando cheguei ela estava inundada. 
Os meus vizinhos tiveram que quebrar o muro para a água escorrer", comenta a mulher, desolada.
Moradores contaram que o fechamento da tubulação só aconteceu seis horas após o rompimento. 
"Fizemos o que podia (para salvar os pertences dos pais). 
Não parava de sair água. Eles só fizeram o desligamento depois da meia noite", contou a recepcionista Márcia Prazeres Alvarenga, 43, moradora de Campo Grande, que na manhã de hoje ajudava na limpeza da casa dos pais.
Empresária perde tudo
Seis festas desmarcadas para o próximo final de semana e um prejuízo de cerca de R$ 100 mil. 
Esse é o drama da empresária do ramo de festas Andreia Figueiredo, 42, que mora ao lado de onde a tubulação estourou. 
"São 15 anos jogados na lama. O meu material de trabalho está todo no lixo. São copos, pratos, talheres, toalhas de mesas. 
Só Deus sabe o que vou fazer agora", diz Andreia. 
"Para os próximos meses eu não sei o que vou fazer. Passou um tsunami pela minha casa", desabafa Andreia vendo os móveis destruídos pela força da água e espalhados pela casa.
Na manhã de hoje equipes da Cedae estiveram no bairro para finalizarem os reparos. Um funcionário da empresa, que não quis se identificar contou que 21 casas foram afetadas pela água. 
Ainda segundo o profissional, ainda na noite de ontem uma vistoria foi feita. "As residências afetadas foram listadas. 
Hoje, estamos com uma equipe numerado os prejuízos materiais dos moradores. Após isso, os prejudicados devem ir à Cedae, no Centro, com os documentos pessoais e três orçamentos. 
Assim que a pessoa der a entrada, e se tudo correr bem, em 30 dias elas poderão ser ressarcidas", afirmou.
Também estiveram no local a Comlurb para retirar a lama e agentes de saúde para orientar os moradores sobre como agir. 
"Estamos orientando os moradores. Caso sintam dor de cabeça ou enjoos, eles devem procurar um posto de saúde", disse a agente de saúde Simone Ferreira.
 
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