Armas dos PMs envolvidos em tiroteio na Rocinha são apreendidas pela Polícia Civil

domingo, 25 de março de 2018
Após o tiroteio, os policiais militares dizem ter levado seis baleados para o Hospital Miguel Couto, na Gávea

Redação Rio Alerta


A Delegacia de Homicídios do Rio (DH) está investigando as mortes de oito pessoas após confronto entre policiais do Batalhão de Choque (BPChq) e traficantes na manhã de sábado na Favela da Rocinha, na Zona Sul. 


Dez policiais militares foram ouvidos na especializada. As armas dos PMs envolvidos no tiroteio foram apreendidas e passarão por exames de balística na segunda-feira.

Segundo a Polícia Militar, homens do Batalhão de Choque realizavam patrulhamento na localidade conhecida como Roupa Suja, nas primeiras horas da manhã de sábado, quando foram atacados por bandidos e revidaram. 
Após informar, ainda pela manhã, que todas as vítimas eram traficantes que atiraram nos PMs, no fim da tarde, a corporação publicou, pelo Twitter, uma errata em que afirmava que seis criminosos foram socorridos pelos policiais após tiroteio.
As famílias de pelo menos dois dos mortos afirmam que eles não tinham ligação com o crime e que a polícia teria entrado na comunidade atirando, pouco depois do término em um baile funk.
De acordo com a Polícia Civil, seis baleados foram levados para o Hospital Miguel Couto e morreram na unidade de saúde. 
Outros dois corpos foram levados por moradores até a passarela. Segundo informações não oficiais, o número de mortos pode chegar a nove. 
A Secretaria Municipal de Saúde informou que chegaram sete baleados ao Hospital Miguel Couto e que todos morreram.
Os PMs informaram que, com os baleados, foram apreendidos um fuzil, seis pistolas e uma granada. A ação aconteceu três dias após o policial militar Filipe Mesquita, 28, e o morador Antônio Ferreira, conhecido como Marechal, terem mortos a tiros na comunidade.
Júlio Morais de Lima, de 23 anos, foi um dos mortos cuja família afirma não ter envolvimento com o tráfico. 
A irmã do rapaz, que pediu para não ser identificada, afirma que Júlio trabalhava como auxiliar de serviços gerais em uma churrascaria. "Meu irmão não era envolvido com o crime. 
Ainda não sabemos se ele foi morto quando saía ou chegava em casa. Mas, vamos atrás de justiça para provar a inocência do meu irmão", disse.
A mãe de Matheus da Silva Duarte de Oliveira, de 19, que também foi morto, disse que o filho tinha acabado de sair do baile funk quando foi baleado. 
"Eles chegaram atirando. Ele foi atingido com um tiro pelas costas, não teve chance. Meu filho tinha família, era doce, um filho maravilhoso. Só Deus sabe o que eu estou sentindo, dói muito. 
O Matheus teve a vida interrompida, os planos. Isso tem que acabar, esta situação precisa dar um basta. Eu tenho consciência de que PM tem família, mas os policiais não têm essa consciência de que morador de favela também tem família."

A mãe de Matheus disse que iria ontem buscar o filho, que morava com a avó na Rocinha, para que ele fosse viver com ela em Santa Cruz por causa da preocupação com a violência.
Ela conta que o jovem participava de um grupo que dançava valsa em festas de debutantes e, com isso, ganhava dinheiro enquanto procurava emprego. "Estamos revoltados e tristes porque ele era um menino alegre e do bem. 
Esta é a realidade, onde preto e favelado morre mesmo sendo inocente", desabafou Alexander Izaías, fundador do grupo em que Matheus dançava.
 
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