Paratleta olímpico, que não tem as pernas, foi arrancado do carro durante assalto

sexta-feira, 6 de abril de 2018


Redação Rio Alerta


"Fiquei ali pensando como poderia chegar até minha irmã para pedir ajuda. Foi desumano". Esse é o desabafo emocionado do atleta paralímpico Jadir Antunes, de 52 anos. 

Ele é cadeirante e foi arrancado por dois bandidos de dentro de seu carro e jogado na calçada no Centro de Nova Iguaçu durante assalto, na manhã desta quinta-feira, na Rua Teresinha Pinto. 

Jadir teve que se arrastar por quase 100 metros para ser socorrido pela irmã, que acabara de deixar em um ponto de ônibus com a esposa dele, a agente administrativa, Gelcineia Chaves, de 41, que também é cadeirante. Elas, no entanto, não presenciaram o crime.

O ataque aconteceu às 5h30, ao lado da prefeitura da cidade, e os criminosos roubaram os pertences da vítima e fugiram no carro dele, o Prisma LP Sedan (LPI-2529) que é automático para que o paratleta possa dirigir. Jadir disputou os Jogos Paralímpicos no Rio, em 2007, também defende o time de basquete de rodas do Fluminense, é tricampeão de handebol sul-americano e agente educativo da Operação Lei Seca.
"Me senti impotente e sem poder fazer nada. Fui deixar a minha esposa e na volta eles me pegaram. Eu prestei atenção só em um homem que durante todo o tempo apontava a arma. Eu disse que o carro era automático. 
Eles (os bandidos) entraram e fugiram na contramão", lembrou Jadir. "Antigamente, os criminosos tinham um 'código de ética'. Eles respeitavam algumas situações. Ontem, eu poderia ter tomado um tiro e ter morrido. Mas, graças a Deus, não aconteceu nada demais. O que mais me doeu foi que eu ali e ninguém me ajudou", lamentou, Jadir, emocionado.
"Ele tentou pedir ajuda, mas ninguém parou. Como a cidade está tão violenta, as pessoas não se solidarizam mais umas com as outras. 
Infelizmente, as pessoas estão perdendo a humanidade. Isso dói", reclamou Gelcineia.
Jadir perdeu as pernas aos seis anos de idade, após um atropelamento. Morando em Vila Iracema, em Nova Iguaçu, há seis anos, ele acorda todos os dias às 5h, prepara o café da manhã de Gelcineia e a deixa num ponto de ônibus, a 15 minutos de casa, para ela seguir para o trabalho. Por ser um trajeto curto e ele não precisar descer o carro, o paratleta não costuma levar a cadeira de rodas.
"É costume ele me deixar ou no ponto perto da prefeitura ou na Dutra (Rodovia Presidente Dutra), não tem um lugar específico. E ontem (quinta-feira) aconteceu a mesma coisa. Como trabalho no Centro do Rio, sempre saímos de casa antes das 5h30. Quando ele me deixou, voltando para casa aconteceu isso", contou Gelcineia.
O caso está sendo investigado pela 52ª DP (Nova Iguaçu). Até agora, o carro e os criminosos não foram encontrados. Jadir usava o carro para trabalhar.
Em 2009, um caso parecido aconteceu com o músico Marcelo Nascimento Santana, o Marcelo Yuka, ex-baterista do grupo 'O Rappa', que é paraplégico. Naquela ocasião, o artista saía de casa, na Tijuca, Zona Norte do Rio, quando foi agredido por bandidos que tentaram levar seu carro. 
Sem reconhecê-lo, ordenaram que ele saísse do carro. Mas, como o músico ficou com as pernas presas e não conseguiu sair do veículo, recebeu socos na cabeça e na barriga. As agressões aconteceram mesmo depois de dizer que é paraplégico. 
Após alguns minutos, os criminosos desistiram de roubar o Jipe em que ele estava e fugiram levando o celular do músico. 
O ataque aconteceu a menos de 500 metros de onde, em 2000, Marcelo Yuka foi baleado e ficou paraplégico durante uma tentativa de roubo.
 
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