Rodoviários do Rio fazem paralisação

segunda-feira, 11 de junho de 2018
Funcionários de pelo menos quatro empresas já cruzaram os braços: Ideal, Três Amigos, Paranapuan e Real

Redação Rio Alerta


Motoristas e cobradores de ônibus do município do Rio de Janeiro fazem paralisação nesta segunda-feira para reivindicar aumento salarial de 10%, após dois anos sem ajustes, pagamento de salários atrasados em algumas empresas, além de planos de saúde e auxílio-alimentação mais alto. 

Apesar do sindicato da categoria anunciar que a greve seria gradual, funcionários de pelo menos quatro empresas já cruzaram os braços: Ideal, Três Amigos, Paranapuan e Real. 


Nelas trabalham 4,5 mil rodoviários, que atendem bairros das zonas Norte, Sul e Oeste do Rio. 


Os ônibus articulados dos corredores BRT também operam com intervalos irregulares.



Na Avenida Brasil, um grupo de rodoviários bloqueiam parcialmente a pista lateral, na altura de Manguinhos, no sentido Centro do Rio. 
Há reflexos na Linha Amarela, desde a Estrada do Pau-Ferro, no sentido Fundão.  A Linha Vermelha, que poderia ser uma opção, também tem trânsito lento da Rodovia Washington Luiz ao Galeão e do Fundão até o Caju, sentido Centro. 
Um dos bairros afetados é a Ilha do Governador, onde circula 11 linhas da Transportes Paranapuan (328, 323, 322, 327, 634, 910, 901, 912, 922, 635 e frescão 2342). Na região, praticamente nenhum ônibus rodou e carros particulares estão fazendo lotadas. Vans de transporte alternativo chegam a cobrar R$ 8 e não estão aceitando Bilhete Único.
O encarregado de obras Cláudio dos Santos, de 44 anos, esperava o 910 para seguir para o trabalho, na Penha, mas ela não passou. 
Com isso, a única opção foram as vans ou os veículos particulares. "As vans não estão aceitando RioCard e estão cobrando R$ 8. Estou desde 6h40 e só passa vans lotadas", reclamou.
A secretária Alice Fernandes, de 55 anos, trabalha na Fiocuz e estava esperando há quase uma hora no ponto, que estava lotado. "Acho difícil eu chegar ao trabalho hoje. 
Já avisei ao meu chefe que estou há quase uma hora aqui e caso eu consiga chegar não sei como voltar", contou. Ela, que pega 8h no serviço, ainda esperava condução quando faltava menos de 20 minutos para este horário. 
A vendedora Maria Antonieta Santos, 50 anos, pega duas conduções para chegar ao trabalho, na Gávea, onde entra às 11h. Ela chegou às 6h ao ponto para não atrasar, mas às 8h ainda esperava pelo ônibus. "Vou voltar para casa", disse.
O Centro de Operações recomenda que os usuários se desloquem por trens, metrô, barcas ou VLT. A Prefeitura do Rio afirma que já acionou plano de contingência para monitorar os serviços prestados pelos consórcios e aplicará sanções em casos de irregularidades.
Além disso, a Secretaria de Transportes também garantiu que acompanhará o posicionamento da Justiça do Trabalho sobre a legalidade da greve - e acolhimento de eventuais liminares para garantir a prestação do serviço.
A Supervia, empresa que administra a malha ferroviária do Rio, informa que está monitorando o aumento da demanda de usuários por conta da paralisação e reforçará a operação se for necessário. Metrô e VLT operam normalmente. 
"Nosso objetivo é ir parando gradualmente até chegar aos 70% parados", disse Sebastião José da Silva, presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio de Janeiro (Sintraturb Rio). A lei obriga manter 30% dos 30 mil trabalhadores do setor em serviço.
Silva reclama do tratamento desumano dado à categoria, com turnos de até 16 horas de trabalho. "Infelizmente são os usuários que pagarão o preço da irresponsabilidade dos empresários. 
A categoria vive hoje um verdadeiro estado de escravidão, onde muitos profissionais trabalham mais de 16 horas por dia, tendo em muitos casos de almoçar dentro do coletivo", afirmou.
Além do ajuste salarial, a greve tem ainda por objetivo a conquista de plano de saúde, retorno da data base para 1º de março, vale alimentação de R$ 409,50, vale refeição de 480, fim da dupla função e suspensão das multas e da pontuação com maior prazo para recursos.
 
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