Manifestação fecha Estrada do Catonho após avó e netos morrerem atropelados

sexta-feira, 14 de setembro de 2018
A avó Mirian Batista de Moura Graça, 60 anos, com os netos Raphael Samuel de Moura Coelho, de 4 anos, e Kaio Vinícius Moura Coelho, de 7 anos. Os três morreram atropelados na Estrada do Catonho

Redação Rio Alerta

Um grupo de manifestantes fechou parcialmente a Estrada do Catonho, na altura da Caratuva, em Jardim Sulacap, na Zona Oeste do Rio, na manhã desta sexta-feira. 


O protesto, com cerca de 60 pessoas, ocorreu depois que avó e netos, de 4 e 7 anos, morreram atropelados, na noite de ontem. 

Eles reclamaram da falta de sinalização no trecho e reivindicam também uma passarela. Segundo os moradores, o problema é antigo e outros acidentes já aconteceram. Uma nova manifestação está prevista para o fim da tarde. 

"Esse ponto de ônibus onde eles desceram é no meio da estrada. Por ser uma pista de subida e descida, eles passam muito rápido. Não tem iluminação à noite, a conservação não vem para limpar, a CET-Rio não a põe quebra molas. 

Há anos pedimos uma passarela aqui. Há um ano, um porteiro de um condomínio aqui em frente morreu atropelado. Há 30 anos, uma família inteira foi morta. A sinalização só tem há três quilômetros, a gente se arrisca", disse uma moradora. Segundo os manifestantes, moradores da região, os motoristas passam em alta velocidade pela estrada e falta radares e sinais de trânsito para a população local. 

O limite de velocidade no trecho é de 70 km/h. A idosa foi identificada como Miriam Batista de Moura Graça, de 60 anos, e seus netos eram Raphael Samuel de Moura Coelho, de 4 anos, e Kaio Vinícius Moura Coelho, de 7 anos. 

Miriam tinha deixado os netos na explicadora no início da tarde em Realengo e por volta das 16h foi para a igreja no mesmo bairro. 

Quando deixou o culto, pegou os dois meninos, pararam na padaria para fazerem um lanche e entraram no ônibus para voltarem para casa. 

Os três tinham acabado de desembarcar de um ônibus na via, por volta das 20h, atravessaram as pistas e, quando já chegavam do outro lado, no sentido Cemitério Jardim da Saudade, foram atingidos pelo carro, que os arremessou a uma distância de 400 metros. 

O trecho não tem sinalização e o motorista do veículo fugiu sem prestar socorro. Um dos pés do tênis de um dos meninos ainda está no local do acidente. 

Miriam fazia 61 anos no próximo dia 28. O enterro dos três será no final da tarde no Cemitério de Ricardo de Albuquerque e, em seguida, um novo protesto acontecerá na Estrada do Catonho. 

Os dois meninos eram filhos de Tamires, que perdeu a família inteira na tragédia. 

Ela foi criada por outra mulher na infância, já que Miriam não tinha condições financeiras. 

A irmã de criação de Tamires esteve no protesto e disse que todos sabiam que um acidente desses poderia voltar a acontecer. "Foi uma tragédia anunciada. 

Todo mundo sabia que uma hora ou outra isso aconteceria de novo. Ele destruiu a família da Tamires. Queremos que ele seja encontrado e punido", disse Ana Paula Souza.
 
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